Há
uma série de coisas que a gente acaba colocando numa caixinha do não (não
gosto, não quero, não faço, não sou capaz e afins) sem nem ao menos conhecer ou
tentar. É quase uma resposta automática, em que nem nos arriscamos entrar em
contato, apenas colocamos ali no canto e deixamos lá. Eu sei que com certeza
você já passou por algo do tipo e se viu tendo que pagar a língua. Aquela comida que nem tinha provado e disse não
gostar, mas acabou virando um dos teus pratos favoritos; aquele lugar que nunca
se imaginou pisando, mas acabou lhe rendendo algumas das suas melhores
memórias; e uma atividade que você nunca imaginou fazendo, mas que depois quis
continuar fazendo aquilo para o resto da sua vida ou pelo menos enquanto for
possível.
Então,
acho que foi justamente isso que aconteceu comigo e o trabalho voluntário. Entre a série de coisas que tinha pensado em
fazer na minha vida, ser voluntária de algo não me parecia ser um daqueles
planos o qual persigo com tanta insistência. Ou talvez a semente estivesse
plantada aqui, mas nunca tinha regado ao ponto dela florir e provocar em mim
aquele desejo de abraçar isso com todas as minhas forças. Não sei. Só sei que tudo
conspirou para que me visse provando de algo novo e amando!
Tudo
começou em 2017 quando precisei pensar em algo muito difícil para mim: o meu
trabalho de conclusão de curso (ou o famoso tcc).
Sou o tipo de jornalista que gosta de contar boas histórias, escrever sobre o
que ama. As pautas que vêm acompanhadas de belas histórias e personagens que me
marcam são as minhas preferidas. E por isso eu queria que o meu último trabalho
da faculdade também fosse assim: que pudesse mudar a vida das pessoas (olha que
pretensão!), contar belas histórias e talvez até dar visibilidade a quem
precisa. Mas qual seria esse tema? Busquei por muito tempo, mudei várias vezes
o tema e a ideia do meu projeto, até que a inspiração veio de dentro da
família. Adoção. Esse seria o tema
do meu tcc.
A
experiência foi maravilhosa e renderia outro texto. Mas o que interessa para o
que quero contar aqui é que no meio das pessoas que a adoção me apresentou, ela
me levou até um grupo de apoio à adoção – que hoje, para mim, é uma espécie de
família. Esse grupo foi uma das pautas da revista que fiz para o meu projeto e
a presidente dele foi uma dessas pessoas que aparecem na nossa vida para nos
ajudar. Mas sabe o que foi o mais legal? É que não fui só ajudada. Chegou a
minha hora de ajudar.
Na
reta final do meu trabalho, quando estava naquele desespero para cumprir
prazos, recebi um convite: Yasmin, você
aceita ser nossa voluntária da comunicação? Lembro que fiquei olhando para
o celular na minha mão, encarando a conversa do whatsapp e pensando no quanto queria ajudar, em como isso seria a
melhor forma de agradecer por toda ajuda que tinha recebido, mas ao mesmo tempo
pensando “cara, que responsabilidade!”.
Mas não pensei demais e respondi que sim. E dali em diante tudo mudou. Ainda é
uma responsabilidade, de fato. Mas uma que não pesa nos meus ombros como muitas
outras que encontrei ao longo da minha vida.
O
trabalho voluntário me apresentou a pessoas que só vieram para somar (e muito!)
na minha vida; elas nem devem saber, mas aprendi muito com elas e suas
histórias. Ser voluntária fez com que vivesse ainda mais um tema que sempre
esteve dentro da minha família, mas que eu não parecia estar envolvida o suficiente.
Mas o melhor e o mais importante acho que é a sensação que trago dentro do
peito após cada encontro, cada evento, cada ação. É sempre uma vontade de ser melhor,
de fazer mais, de ajudar mais e tudo isso misturado com a alegria de saber que
faço parte de algo que, da sua maneira, transforma a vida das pessoas.
Por isso eu vou te dar um
conselho: se um dia você encontrar algum trabalho voluntário que faça o seu
coração bater em um ritmo diferente, mesmo que ainda seja uma pequena alteração
de ritmo, não pense muito e se jogue, dedique uma parte do seu tempo. Garanto
que os benefícios são muitos e bem maiores do que o de qualquer remédio que
encontramos na farmácia!
"Trabalho voluntário não é coisa de gente santa. Não é para quem quer mudar o mundo ou ser bem visto. Trabalho voluntário é para quem quer mudar a si mesmo e está disposto a aprender por meio do contato com novos mundos.
É uma excelente ferramenta de empatia, onde o aprendiz ensina mais que o professor. Voluntariar é transbordar de tanto aprendizado e gratidão, é superar dores e desafios inimagináveis, porque vê na história do outro as bênçãos da própria vida.
A nossa maior ligação é humana, feita de respeito e gentileza. Onde existem voluntários, existe a mistura das cores, das classes, das crenças e de passados.
A curiosidade pelo outro alimenta a nossa alma sedenta por sentimentos reais! Voluntariar é doar amor para curar a dor do outro, e sem saber, descobre que esse é o remédio para curar a nossa própria.
Em todos esses mundos eu encontrei um olhar de gratidão profundo, desses que desconstroem quem achávamos que éramos e faz renascer quem realmente queremos ser nesse mundo!!"Marcia Quintella - Psicóloga

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