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maio 29, 2018

Foto via Stocksnap.io

Sou dessas pessoas que começa um novo ano cheia de gás e esperança de que dessa vez vai ser diferente. E não quero entrar no mérito de quão verdadeiro isso pode ser, entre outras discussões sobre isso (não é momento para filosofarmos). Mas o que quero dizer aqui é que naquele ano uma parte de mim estava extremamente empolgada por estar fazendo algo novo, mas a outra parte ainda tentava encontrar respostas e se sentia completamente perdida e esgotada em relação a certas coisas da vida. Era como um misto de otimismo de que as coisas vão ser melhores com aquele pessimismo que vem quando a gente decide se conformar que, como diria a Vanessa da Mata, é só isso e não tem mais jeito

Talvez a parte mais dolorosa de toda essa história era que eu tinha perdido o prazer em algo que antes era uma espécie de força motora para mim. De alguma maneira, aquilo ali me impulsionava a sonhar, a fazer planos, a querer ser cada vez melhor. Mas então as coisas ficaram meio nebulosas e a relação foi se desgastando e afetando alguns campos da minha vida. E foi nesse momento, enquanto tentava esconder as olheiras com maquiagem, a noite de choro com um sorriso na frente dos amigos e a ansiedade com o meu jeitinho mais na minha, que conheci ele. 

Sabe aquelas pessoas que parecem trazer o sol junto de si? Que tem um sorriso tão contagiante? E que te transmite uma paz tão grande que nem se quer passa na sua cabeça que ali dentro daquele universo pode estar acontecendo uma revolução e estar tudo bem bagunçado? Então, esse é o jeito que encontrei de descrever ele. 

Estando tão acostumada com caras que sempre são tão grosseiros ou tem segundas intenções, eu confesso, fiquei um pouco surpresa e sem saber como lidar quando, durante quase um mês, ele se sentava próximo a mim e me olhava tão atentamente enquanto falava – mesmo que fosse sobre algo que ele não entendesse ou sobre uma banda que amo, mas ele não suporta. Ele parecia querer me estudar, entender até as coisas que não ousava dizer. O menino dos olhos brilhantes me mostrava que com ele não havia relações superficiais; era para se aprofundar no outro mesmo ou não valia a pena. E demorei, mas me acostumei com isso. Na verdade, passei a gostar, porque certamente era o que mais me chamava atenção nele, o que mais gostava. 

Os meses foram se passando e acho que não estávamos próximos apenas nos assentos, mas também por dentro. Aos poucos fomos nos permitindo a entrada de um no universo do outro; compartilhamos experiências, segredos, expectativas, receios, amigos e até mesmo as coisas de diferente que aconteciam em nossa rotina; conhecemos a família um do outro – e não sei quanto a ele, mas me senti tão bem em meio aos iguais a ele (essa luz e paz eram de berço); e quase pegamos a estrada juntos, certa vez. Passamos por épocas em que estávamos muito próximos e sempre dando um jeitinho pra gente se ver, nem que fosse no final da tarde do sábado quando a gente terminasse aquele compromisso; mas também tiveram uns momentos em que tudo parecia contribuir para a nossa distância. 

Não sei se felizmente ou infelizmente, mas nós tivemos dias meio contados. Os planos dele eram muito maiores que os meus (o que eu esperava, principalmente vindo de alguém que tinha conhecido tanto do mundo e das culturas e das pessoas) e acabaram nos afastando. Ele não sumiu da minha vida, mas hoje temos quilômetros, sonhos, obrigações, lições e trabalhos que nos distanciam. Ficou a proximidade de dentro, sumiu a dos assentos. 

Mas me utilizando das palavras da garota daquele livro que nós dois lemos, vou dizer que ele não imagina o tamanho da minha gratidão por esses dias. Tive a certeza disso quando ele deu as costas para mim e seguiu em direção ao seu carro, na nossa última despedida. O meu coração se apertava em saber que o assento do lado estaria vazio, assim como o canto do parque que a gente gostava de sentar para conversar sobre coisas sérias e as bobas também; que não teria mais aquela esperança de que após uma semana pesada o encontraria no sábado à tarde; não escutaria o seu sonoro e alegre bom dia ou as canções que cantarolava até conseguir deixa-las grudadas na minha mente também; e nem receberia seus olhares atenciosos e abraços com poderes comparados ao de um calmante vendido na farmácia. Mas apesar de tudo isso, uma parte de mim torcia para que ele pudesse encontrar outra pessoa para resgatar de lá, do final do poço, assim como ele fez comigo.
maio 28, 2018


Por lugares incríveis, da Jennifer Niven, é narrado pelos seus personagens principais: Theodore Finch e Violet Markey. Os dois adolescentes, que carregam algumas dores e traumas, se conhecem no alto da torre do sino, em uma situação bastante delicada, pois ambos estão pensando em pular dali. Porém este episódio não tem um final trágico. Pelo contrário, um ajuda o outro e dali surge uma amizade que se intensifica ao precisarem fazer um trabalho de geografia juntos. Ao longo desse trabalho, além de explorarem lugares novos (e incríveis) no estado em que moram, eles se salvam, ajudam na superação de alguns traumas e medos, e despertam no outro a vontade de viver.

Jennifer Niven conseguiu tratar de temas delicados como depressão e o suicídio de uma maneira bastante inteligente. A forma como ela constrói e apresenta seus personagens faz com que as pessoas não só entrem em contato com o seu mundo, mas que, de certa forma, compreenda o que se passa na cabeça de um jovem – daquele que está prestes a se matar, do que já tentou suicídio e daquele que perdeu alguém desta maneira. E ela faz isso de uma forma que faz com que desperte em você, leitor, a atitude de valorizar a sua vida, de tentar olhar para o próximo com mais empatia e amor. Bom, pelo menos foi assim que me senti ao terminar de ler o livro.

Embarquei nas aventuras dos personagens, sorri e chorei com eles. As lágrimas tomaram conta durante a leitura dos últimos capítulos; foi impossível não ser tomada pela emoção, principalmente porque me deparei com muitas questões que fizeram parte da minha vida. Quantas vezes nós já nos sentimos excluídos de um grupo? Quantas vezes já nos sentimentos mal pelos julgamentos que fizeram ao nosso respeito? E já parou para pensar que nós fazemos mais falta na vida das pessoas do que já imaginamos? Que não passamos em branco na vida de ninguém? Pois é, foi isso que fiquei pensando assim que terminei de ler o livro.

A leitura é muito agradável, o livro é envolvente e a história apesar de triste é linda, emocionante. É o tipo de livro que todo mundo deveria ler em algum momento da vida (se você é um adolescente que está passando por um momento bem intenso e confuso então!). Está entre aquela lista de livros que lemos até os agradecimentos da autora – e olha, isso me ajudou a entender e admirar ainda mais o livro).

Alguém aí já leu? Se não, espero que não percam mais tempo e procurem na livraria mais próxima, pois vale muito a pena!


Há uma série de coisas que a gente acaba colocando numa caixinha do não (não gosto, não quero, não faço, não sou capaz e afins) sem nem ao menos conhecer ou tentar. É quase uma resposta automática, em que nem nos arriscamos entrar em contato, apenas colocamos ali no canto e deixamos lá. Eu sei que com certeza você já passou por algo do tipo e se viu tendo que pagar a língua. Aquela comida que nem tinha provado e disse não gostar, mas acabou virando um dos teus pratos favoritos; aquele lugar que nunca se imaginou pisando, mas acabou lhe rendendo algumas das suas melhores memórias; e uma atividade que você nunca imaginou fazendo, mas que depois quis continuar fazendo aquilo para o resto da sua vida ou pelo menos enquanto for possível.

Então, acho que foi justamente isso que aconteceu comigo e o trabalho voluntário. Entre a série de coisas que tinha pensado em fazer na minha vida, ser voluntária de algo não me parecia ser um daqueles planos o qual persigo com tanta insistência. Ou talvez a semente estivesse plantada aqui, mas nunca tinha regado ao ponto dela florir e provocar em mim aquele desejo de abraçar isso com todas as minhas forças. Não sei. Só sei que tudo conspirou para que me visse provando de algo novo e amando!

Tudo começou em 2017 quando precisei pensar em algo muito difícil para mim: o meu trabalho de conclusão de curso (ou o famoso tcc). Sou o tipo de jornalista que gosta de contar boas histórias, escrever sobre o que ama. As pautas que vêm acompanhadas de belas histórias e personagens que me marcam são as minhas preferidas. E por isso eu queria que o meu último trabalho da faculdade também fosse assim: que pudesse mudar a vida das pessoas (olha que pretensão!), contar belas histórias e talvez até dar visibilidade a quem precisa. Mas qual seria esse tema? Busquei por muito tempo, mudei várias vezes o tema e a ideia do meu projeto, até que a inspiração veio de dentro da família. Adoção. Esse seria o tema do meu tcc.

A experiência foi maravilhosa e renderia outro texto. Mas o que interessa para o que quero contar aqui é que no meio das pessoas que a adoção me apresentou, ela me levou até um grupo de apoio à adoção – que hoje, para mim, é uma espécie de família. Esse grupo foi uma das pautas da revista que fiz para o meu projeto e a presidente dele foi uma dessas pessoas que aparecem na nossa vida para nos ajudar. Mas sabe o que foi o mais legal? É que não fui só ajudada. Chegou a minha hora de ajudar.

Na reta final do meu trabalho, quando estava naquele desespero para cumprir prazos, recebi um convite: Yasmin, você aceita ser nossa voluntária da comunicação? Lembro que fiquei olhando para o celular na minha mão, encarando a conversa do whatsapp e pensando no quanto queria ajudar, em como isso seria a melhor forma de agradecer por toda ajuda que tinha recebido, mas ao mesmo tempo pensando “cara, que responsabilidade!”. Mas não pensei demais e respondi que sim. E dali em diante tudo mudou. Ainda é uma responsabilidade, de fato. Mas uma que não pesa nos meus ombros como muitas outras que encontrei ao longo da minha vida.

O trabalho voluntário me apresentou a pessoas que só vieram para somar (e muito!) na minha vida; elas nem devem saber, mas aprendi muito com elas e suas histórias. Ser voluntária fez com que vivesse ainda mais um tema que sempre esteve dentro da minha família, mas que eu não parecia estar envolvida o suficiente. Mas o melhor e o mais importante acho que é a sensação que trago dentro do peito após cada encontro, cada evento, cada ação. É sempre uma vontade de ser melhor, de fazer mais, de ajudar mais e tudo isso misturado com a alegria de saber que faço parte de algo que, da sua maneira, transforma a vida das pessoas.

Por isso eu vou te dar um conselho: se um dia você encontrar algum trabalho voluntário que faça o seu coração bater em um ritmo diferente, mesmo que ainda seja uma pequena alteração de ritmo, não pense muito e se jogue, dedique uma parte do seu tempo. Garanto que os benefícios são muitos e bem maiores do que o de qualquer remédio que encontramos na farmácia!

"Trabalho voluntário não é coisa de gente santa. Não é para quem quer mudar o mundo ou ser bem visto. Trabalho voluntário é para quem quer mudar a si mesmo e está disposto a aprender por meio do contato com novos mundos.
É uma excelente ferramenta de empatia, onde o aprendiz ensina mais que o professor. Voluntariar é transbordar de tanto aprendizado e gratidão, é superar dores e desafios inimagináveis, porque vê na história do outro as bênçãos da própria vida.
A nossa maior ligação é humana, feita de respeito e gentileza. Onde existem voluntários, existe a mistura das cores, das classes, das crenças e de passados.
A curiosidade pelo outro alimenta a nossa alma sedenta por sentimentos reais! Voluntariar é doar amor para curar a dor do outro, e sem saber, descobre que esse é o remédio para curar a nossa própria.
Em todos esses mundos eu encontrei um olhar de gratidão profundo, desses que desconstroem quem achávamos que éramos e faz renascer quem realmente queremos ser nesse mundo!!"
Marcia Quintella - Psicóloga
janeiro 19, 2018

Foto via Picjumbo

Eu não me lembro quando foi a última vez que escrevi algo para um blog. Ou até mesmo algo próximo disso. É uma realidade meio dura, mas ultimamente, meus escritos tem se resumido a: trabalhos acadêmicos e textões nos aniversários dos amigos. E isso pode parecer normal, mas para mim é estranho. Ficou ainda pior quando resolvi apagar uns e-mails antigos (um conselho: limpem sempre a caixa de entrada de vocês, não deixe acumular) e encontrei coisas que tinham a ver com blogs anteriores. Se deu saudade? Sim, muita. Isso deixou claro para mim que talvez não precisasse continuar como estava levando o blog antes, mas que precisava de um lugar para escrever coisas que não fossem as pautas da faculdade ou sobre leis e afins. 

Não sei desde quando tenho blog, mas sei que escrevo nessa plataforma desde sempre. Antes era algo pessoal, depois tentei fazer com que isso começasse a ganhar forma de uma profissão. Em ambas eu fui muito feliz, mas depois de um tempo percebi que encarar isso aqui como trabalho não seria o ideal para mim. Não conseguiria encarar isso aqui dessa maneira. Blogar tem que ser algo leve, divertido. E não era isso que estava sendo para mim. Por isso eu criei esse blog. 

O blog

Assim como o nome, eu quero que isso aqui sirva como uma espécie de diário. É claro que a gente não publica tudo da nossa vida na internet - ou pelo menos não deveria. Mas sinto falta de ter um lugar para divagar (minhas amigas agradecem por não receberem mais meus áudios hehe), para escrever os meus famosos textos desabafos e, para assim como eu fazia naquele projeto de blog-profissão, falar das coisas que eu gosto, compartilhando essas experiências com algumas pessoas. Quero contar sobre os lugares que eu fui, as coisas legais que eu vi e vivi, as gostosuras que comi, os momentos bons que tive com os amigos, as voltas por cima que dei, os livros que li, as séries que maratonei e os filmes que assisti. Eu quero me ajudar colocando para fora certas coisas e, se não for muita pretensão, ajudar quem possa passar por aqui e ler. E o mais importante: quero que isso seja algo leve, sem cobranças, sem agendas, sem muito esforço para ser algo "profissional".  

Aqui não vai ter periodicidade, não vai ter mil categorias, muito menos mil projetos para serem desenvolvidos (e que vamos ser sinceros, eu nunca darei conta). Não vai ter página no face, nem canal no youtube (pelo menos eu não pretendo). Só terá eu, sendo eu mesma. Escrevendo quando dá, quando a inspiração vem ou quando tem algo muito legal para falar sobre. Pode ser que escreva muito, com frequência. Pode ser que não. 

Ah, e também tem mais uma meta: dessa vez, eu vou (tentar) me controlar e manter o layout por muito tempo! haha

Vem comigo?

Tem muito tempo que eu não escrevo um post para um blog, mas acho que me sai bem né?! E confesso, mal vejo a hora de voltar a produzir conteúdo para um bloguinho! 

Não sei quem tá lendo - ou melhor, não sei se tem alguém aí do outro lado da tela que abriu esse blog, começou a ler e chegou até aqui. Mas se sim, seja bem vindo! E eu espero que você volte mais vezes, vamos ser amigos?! 

Até breve! 

blogyasminfreitas@gmail.com